Mobills Entrevista: Fagner Nogueira Marques

 

Fagner concedeu uma entrevista para o site da Mobills cheia de dicas para quem planeja começar a organizar a vida financeira. Confira!

Mobills Entrevista 1: Fagner Nogueira Marques

Qual dica você dá para quem quer cuidar das finanças nesse momento de crise?

– A principal dica seria cuidar das finanças independentemente do momento ser de crise ou não. Cuidar das finanças pode ser um hábito a ser adotado por toda nossa vida.

Para iniciar um bom controle é importante conhecermos o destino do nosso dinheiro e para isso temos várias ferramentas que podem nos ajudar, seja um aplicativo de controle financeiro no celular, uma planilha no Excel ou até mesmo o velho, mas ainda eficiente, papel e caneta. Vale ressaltar que não existe a melhor ferramenta. A melhor ferramenta é aquela que funciona para você.

Contudo, saber o destino do nosso dinheiro não basta para um bom controle financeiro. Devemos nos atentar para as coisas que são realmente importantes para nós e a partir do conhecimento do destino do nosso dinheiro, fazer os ajustes necessários para direcionar nossos gastos para o que pensamos ser importante.

Sempre digo aos meus clientes a seguinte frase: Não me fale sobre suas prioridades, me mostre onde você gasta seu dinheiro e eu te falarei quais são as suas prioridades. Outra coisa muito importante é não focar o controle só nos gastos que já foram realizados. É fundamental pensar nos gastos futuros, fazer projeções e pensar nas coisas que nos motivariam a fazer esse esforço de controlar as finanças.

Onde normalmente estão os problemas de quem não consegue economizar, já que dicas pela internet existem aos montes?

– Realmente não podemos alegar falta de informação. A internet nos dá a possibilidade de pesquisar sobre as práticas necessárias para iniciar o processo de economizar nosso dinheiro. Entretanto, da mesma forma que temos à nossa disposição informações para economizarmos, temos em muito maior número propaganda e publicidade para gastarmos.

O mercado publicitário faz muito bem seu papel, conhecendo seu público e identificando ou até criando suas necessidades. Mas jogar a responsabilidade para a publicidade não é saudável quando devemos assumir uma postura de protagonista da nossa vida financeira e a responsabilidade pelos nossos resultados. A informação pode combater o impulso. Consumir informação sobre finanças pessoais nos ajuda a combater a mensagem que nos impulsiona às compras.

Após consumir informação de qualidade sobre o tema, precisamos construir um hábito e é aqui que a maioria das pessoas encontram as maiores dificuldades. É muito comum que nós iniciemos um processo de anotação de gastos para sabermos para onde está indo nosso dinheiro e essa anotação pare depois do primeiro mês ou até antes.

Como podemos ultrapassar essa dificuldade? Estipulando metas, pensando nos nossos sonhos, nas coisas que gostaríamos de realizar. São essas coisas que nos darão forças para vencer essa dificuldade inicial.

O que você diria aos jovens que já têm vontade de investir e economizar para um futuro melhor?

– Primeira coisa é investir em si mesmo. Se diferenciar no mercado e melhorar suas chances de aumento de renda.

Feito isso, vale lembrar que antes de pensar em investimentos, devemos colocar a casa em ordem, conhecer nossas receitas e despesas, separar uma parte da receita para absorver os imprevistos e só ai pensar nos investimentos. Por que? Porque todo investimento está apoiado em um tripé – segurança, rentabilidade e liquidez.

Se você quer um investimento seguro e com liquidez, ele provavelmente terá pouca rentabilidade. Se você quiser um investimento seguro e com boa rentabilidade, ele terá provavelmente pouca liquidez. Se você quiser um investimento com boa rentabilidade e boa liquidez, provavelmente não será tão seguro.

Particularmente recomendo nunca deixar a segurança de lado. Por esse motivo, é importante que o passo de colocar a casa em ordem tenha sido bem feito para que possamos deixar nossos investimentos amadurecerem para termos os resultados esperados.

E quanto ao início? Muitas pessoas não têm patrimônio para iniciar um investimento, como essas pessoas podem começar sem cometer erros?

– Existem oportunidades de investimento que exigem pouco dinheiro para iniciar, como por exemplo, o Tesouro Direto.

Para não cometer erros é importante pesquisar bem e descobrir qual é a modalidade de investimentos que mais se encaixa com o perfil da pessoa. Não existe o melhor investimento, existe o investimento que você mais se interessa em aprender sobre ele, sejam os imóveis, as ações, os títulos públicos etc.

Como a educação financeira deveria ser ensinada? Começar das bases de ensino é uma boa opção?

– Já existe um projeto para o ensino de educação financeira nas escolas através da ENEF – Estratégia Nacional de Educação Financeira.

Mas a melhor forma de ensinar educação financeira é pelo exemplo. Os pais podem fazer com que seus filhos participem da organização do orçamento de casa. Podem conversar sobre dinheiro para que esse tema deixe de ser um tabu e, dessa forma, as informações recebidas na escola ou por outros meios de comunicação encontrarão menor resistência para serem absorvidas pelas crianças e adolescentes.

Você teria algum livro para indicar?

– Gosto muito dos livros do Gustavo Cerbasi.

Para quem está iniciando a construção do hábito de cuidar das finanças, recomendo o livro Dinheiro: Os segredos de quem tem. Para quem já caminhou mais um pouco nesse processo, indico o Investimentos Inteligentes e para os que já caminharam bastante, indico 0 Adeus Aposentadoria.

Qual é a relação de Felicidade com Dinheiro?

– Penso que existe uma grande relação já que o dinheiro é um potencializador daquilo que a pessoa já é. Uma pessoa feliz sem dinheiro, ficaria mais feliz com dinheiro. Uma pessoa infeliz sem dinheiro, ficaria mais infeliz com dinheiro.

Aqui é importante ressaltar que o dinheiro não é um fim, mas sim um meio para usufruirmos das coisas que consideramos importantes para nós. E é ai que está a grande relação com a felicidade. Se sabemos o que é importante e temos a possibilidade de realizar essas coisas através do dinheiro, como por exemplo, viajar, poder passar mais tempo com os filhos, se dedicar a um trabalho que nos dê prazer, com certeza seremos mais felizes.

Quais os investimentos mais indicados para quem está começando?

– Uma boa alternativa para quem está começando é aprender mais sobre títulos públicos.

Qual a importância de se ter uma reserva financeira?

– Imagine uma pessoa que iniciou o processo de cuidar das finanças e fez toda a lição de casa. Fez o controle de gastos, definiu seus objetivos e sonhos a serem realizados, começou a investir um percentual da sua receita, não tem dívidas e tudo parece estar bem.

Imagine agora que essa pessoa ainda não tem uma reserva financeira e acontece um imprevisto. Ela pode até já ter um bom patrimônio, com casa própria, veículo, saldo no FGTS, previdência privada, dentre outros; mas o fato dela não possuir uma reserva financeira, pode fazer com que todo seu esforço vá por água abaixo e rapidamente ir para uma posição de endividado.

Agora, se ela tem uma reserva financeira e o imprevisto acontece, ela não precisa deixar de seguir os planos que definiu. Só acrescentar a recomposição da reserva assim que a situação voltar à normalidade.

Mas qual seria o tamanho ideal da reserva financeira? Depende. É importante analisar a situação de cada um,
como por exemplo, empregabilidade, possibilidade de aumento de renda, composição familiar etc. De qualquer maneira, de 3 a 6 meses dos gastos mensais seriam suficientes para que a pessoa possa passar por um imprevisto com alguma tranquilidade.

A reserva financeira tem o objetivo principal que é absorver os imprevistos. E a única coisa que podemos afirmar com certeza absoluta em relação aos imprevistos é que eles irão acontecer.

Ex-jogador de futebol, economista e advogado. Fagner Marques trabalha como consultor financeiro pessoal, faz atendimentos presenciais e por Skype e ministra palestras de educação financeira para diversos públicos.

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