Comprar ou não um imóvel? Eis a questão

A compra da casa própria é o grande sonho da maioria dos brasileiros, é sinônimo de status social e de estabilidade financeira. Quem nunca ouviu: “Olha, Fulano já comprou um apartamento, agora já está com a vida organizada”. Sim, pode ser que o Fulano esteja com a vida organizada, mas pode ser que ele ainda tenha 30 anos de parcelas de financiamento para pagar e isso se torne uma dificuldade durante esse tempo. Aquela casa ou apartamento só será sua propriedade, quando ele pagar a 360ª parcela e, caso isso não aconteça, o bem será devolvido ao banco. Uma triste realidade.
Não quero desmotiva-los a correr atrás dos seus sonhos, mas ontem li uma matéria que reflete esta realidade que vivemos no Brasil. Uma reportagem da Exame (clique aqui) revela que um levantamento da agência de classificação de riscos Fitch, com nove companhias, mostra que, de cada 100 imóveis vendidos, 41 foram devolvidos de janeiro a setembro de 2015. Isso significa quase R$ 5 bilhões de volta na prateleira de venda das grandes empresas.
O percentual de pessoas que desistiam do imóvel antes da entrega das chaves girava em torno de 10%. Um executivo de uma grande construtora afirma que antes, o consumidor comprava um imóvel por R$ 100 mil na planta e conseguia vender por R$ 150 mil, embolsando a diferença. Hoje, compra por R$ 100 mil, mas descobre, na entrega das chaves, que a incorporadora está vendendo por R$ 80 mil.
Os jovens casais devem se atentar a estes dados, já que eles sentem mais pressão para a compra da casa própria. Os pais e a sociedade de forma geral pressionam, mas indico que os recém-casados prefiram viver de aluguel, pelo menos, nesse inicio da vida a dois. Neste caso, você se perguntam: “Então, vou jogar dinheiro fora com o aluguel, se eu podia pagar parcelas de um imóvel que será meu?”. Essa pergunta é bem comum, quando ministro cursos e palestras. É importante que você saiba que, enquanto está financiado, o imóvel não é sua propriedade, ele está alienado em nome do banco.
O segundo ponto a favor do aluguel é a flexibilidade. Se você é jovem, pode estudar ou trabalhar em outro bairro, cidade ou país. Nem preciso dizer que trocar de imóvel próprio vai custar muito mais caro do que pagar uma multa e encerrar o contrato de aluguel. O terceiro ponto é que sua família pode crescer, então o ideal é morar de aluguel num apartamento ou casa menor e, futuramente, investir na compra de um imóvel maior com mais estrutura que seja correspondente ao tamanho da sua família já formada.
O quarto ponto é que, muitas vezes, a parcela do imóvel gera um engessamento do seu orçamento. Além da casa própria, há necessidade de atender sonhos de curto e médio prazo como: uma viagem ou compra de um carro. Se o orçamento está engessado fica difícil investir em lazer, o que desgasta qualquer relação.
Agora, isto não significa que para todos os casos não se deve comprar um imóvel. Se você tem um dinheiro guardado para esta ocasião, pode comprar. Mas, para não haver arrependimento, estude o plano diretor da sua cidade. Pesquise em mais de uma imobiliária e com corretores diferentes, isso pode ajudar a barganhar um bom empreendimento. Boa sorte!

Ex-jogador de futebol, economista e advogado. Fagner Marques trabalha como consultor financeiro pessoal, faz atendimentos presenciais e por Skype e ministra palestras de educação financeira para diversos públicos.

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