Eterno dilema do mundo dos negócios: Bem estar individual (empresário) x Bem estar social (funcionários)

O mundo dos negócios ainda se assemelha a uma floresta tropical ou aos mais hostis ambientes do planeta Terra, onde somente os mais fortes e os que se adaptam mais rápido sobrevivem.

A concorrência ferrenha, o rápido avanço da tecnologia, a maior exigência dos consumidores, a concentração da população nas áreas urbanas são apenas algumas das razões para que o mercado, especificamente empresários e administradores, se preocupem cada vez mais com a produtividade e rentabilidade de suas empresas.

A regra de ouro do mundo dos negócios é fazer/produzir muito mais utilizando/gastando muito menos recursos.

Em momentos em que a economia mundial anda de lado e alguns setores sofrem fortes pressões para se manterem rentáveis e sobreviverem observa-se claramente um eterno trade off vivido pelos responsáveis pela entrega dos resultados e gerenciamento dos recursos necessários, especificamente os empresários: Pensar exclusivamente na última linha da empresa (Lucro/Prejuízo) e cortar Custos a qualquer custo (Visão de curto prazo) ou pensar no bem estar social de forma geral e procurar manter o quadro de funcionários, melhorando os resultados das empresas através de decisões que privilegiem o longo prazo e melhores práticas de gestão (Visão de longo prazo)?

Nesse eterno dilema quase sempre quem sai ganhando é a visão de curto prazo. A pressão pela entrega de bons resultados para os acionistas, a busca por bônus cada vez maiores pelo empresários/executivos e a constante ameaça de ser superado, executivos e empresas, pelo mercado faz com que o corte de custos de forma drástica nos momentos em que a economia patina e não sai do lugar parece ser a decisão tomada por 99,9% dos empresários para manter o nível de rentabilidade do seu negócio.

Podemos avaliar a questão por dois pontos distintos. O primeiro, levando em conta o pensamento do empresário que espera que sua empresa seja perene e sobressaia no mercado frente à concorrência. Para que isso aconteça, o empresário deve estar atento aos movimentos do mercado e se possível se antecipar para ganhar algum fôlego nos momentos de maior incerteza sobre os rumos da economia de forma geral. Mesmo que para isso deva reduzir drasticamente seu quadro de funcionários, causando um mal estar social com a redução ou perda total de renda de algumas famílias. Supondo que a empresa será perene, com certeza ajudará muito mais famílias a obter renda através da geração de empregos e produtos/serviços ao longo dos anos. Afinal de contas a morte prematura de uma empresa nunca gera bons frutos para a sociedade de forma geral. Podemos utilizar um conceito do pai da Economia Adam Smith, que ao explicar a maneira como A Mão Invisível ajusta o mercado, afirma que o indivéduo ao pensar em seu bem estar próprio ajuda muito mais a sociedade do que se pensar especificamente em ajudar os demais agentes da economia. Adam Smith afirma que a Mão Invisível ajusta o mercado e gera um bem estar social através dos desejos individuais de seus agentes.

Por outro lado, podemos levar em consideração o ponto dos diversos chefes de família que possibilitam que os empresários alcancem seus resultados. Onde o empresário ao pensar em primeiro lugar na situação de seus funcionários e suas famílias pode se privar de um ganho imediato através da redução de seu quadro de funcionários para tentar melhorar seus resultados através de ações que efetivamente mudarão a gestão do negócio e trarão frutos perenes sem necessidade de cortes extremos em sua estrutura de custos. Afinal de contas, numa economia onde o principal motor é o consumo, é extremamente importante que a taxa de desemprego seja baixa, que a renda da população cresça e que o acesso ao crédito seja amplo e de boa qualidade, (baixa inadimplência) e possibilite o aumento do consumo por parte dos agentes e o aumento dos investimentos e produção por parte das empresas.

Qual o melhor caminho? Qual a melhor alternativa? Existe certo ou errado em se tratando do mundo dos negócios? Os acionistas aceitariam receber menores valores (dividendos) em troca do bem estar social? Os funcionários aceitariam receber menores salários em pró da saúde econômico financeira da empresa?

A meu entender, essas questões continuarão sem respostas por muito tempo, pois empresários e/ou funcionários são apenas PESSOAS. E por natureza e instinto de sobrevivência, a maioria das pessoas pensa em primeiro lugar no seu próprio bem estar.

Certo ou errado??? Bem estar individual x Bem estar social?

Eis a eterna questão!!!

Segue matéria do valor que aborda rapidamente o tema através da boa gestão dos talentos.

http://bit.ly/17BVEmv

 

Siga-me no twitter: @fnmarques

 

Fagner Nogueira Marques é sócio fundador da Nogueira Marques Consultores Associados e ministra palestras sobre educação financeira para empresas e atletas, principalmente, jogadores de futebol. É bacharel em Direito pela Faculdades Metropolitanas Unidas – FMU, advogado regularmente inscrito nos quadros da OAB/SP, bacharel em Ciências Econômicas pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado – FECAP. Possui a certificação da Anbid CPA-20 e também a certificação de Agente Autônomo de Investimentos, concedida pela ANCORD e pós graduação em Psicologia Econômica pela USP (Fipecafi).

Ex-jogador de futebol, economista e advogado. Fagner Marques trabalha como consultor financeiro pessoal, faz atendimentos presenciais e por Skype e ministra palestras de educação financeira para diversos públicos.

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